Somos vítimas ou agentes da mudança?

Somos vítimas ou agentes da mudança?

O filósofo grego Heráclito, 5 séculos antes de Cristo, afirmava que a característica mais fundamental da natureza está justamente nas constantes transformações do mundo. Sua frase mais célebre talvez seja aquela que afirma:

“Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio. Na segunda vez não é mais o mesmo rio e nem o mesmo homem.”

Isto porque tanto o rio quanto o homem estão em permanente processo de mudança… Apesar do tempo – já lá se vão 2.500 anos – mudar continua sendo o maior desafio do homem. E uma de suas características negativas está justamente na resistência à mudança, qualquer mudança. Resistimos a mudanças em nossa rotina, por mais que a odiemos; nos negamos a mudar hábitos; somos conservadores quando se trata de entender as mudanças sociais, e preconceituosos quando os fatos escapam à nossa compreensão… E no entanto, mesmo quando não queremos assumir, mudamos diariamente…

Num primeiro instante se poderia atribuir a resistência à mudança à nossa ignorância:

– “não sei POR QUE mudar”, ou ainda “não sei COMO mudar”…

Por que é tão difícil assumir uma postura que nos leve a CONSIDERAR a mudança como algo benéfico e fundamental para nossa vida? Curiosamente a palavra que atualmente persegue a maioria da humanidade é justamente uma filha dileta da mudança – SUCESSO.

Parece claro que para ser bem sucedido em qualquer situação é preciso MUDAR. Esta regra vale para o Sucesso, entendido o termo em sua vastidão – seja o sucesso profissional, o sucesso no amor, o sucesso na dieta, o sucesso em obter melhor qualidade de vida, e por aí vai…

Como já escreveu Paulo Gaudêncio, as mudanças podem ocorrer em dois planos: no PENSAR e no SENTIR. Elas precisam evoluir para o emocional para terem o combustível precioso da AÇÃO. O plano racional é reativo – nós SABEMOS que precisamos mudar, mas NÃO CONSEGUIMOS…

Resta então a pergunta: seria a MOTIVAÇÃO o combustível da Mudança? Esta pelo menos é a resposta que nos ensinam os gurus da auto-ajuda… Aliás, muitos deles pulam esta parte, e “vendem” a ideia de que a Motivação é o combustível do Sucesso (entendido por eles como algo palpável, como “ganhar dinheiro”, “subir na vida”, “ser promovido”, etc).

Mas “ter um motivo” pra viver antecede a Motivação, e prescinde do Sucesso da forma tradicional como ele nos é “vendido” nos tempos atuais. Ninguém vive para ganhar mais, mas busca sempre fazer algo que gosta. Ninguém vive para ser promovido no emprego, mas sonha sempre em ser reconhecido naquilo que faz…

Parece-me óbvio que para tudo na vida há um motivo, para todo gesto e para qualquer ato humano. Quando temos um motivo para fazer algo, nos motivamos a alcançá-lo. Alguns buscam um bom motivo para viver numa crença, numa religião. Outros preferem o caminho do estudo, da filosofia. Em qualquer dos caminhos, adentramos a esfera do emocional, passamos a SENTIR a necessidade da mudança. E se temos um motivo, nos motivamos…

É nesse ponto que o ato da mudança se torna perene, e passa a fazer parte da rotina de nossa vida, por mais paradoxal que seja o termo “rotina” aqui empregado. “Viver sempre a mesma vida” muda para “viver sempre mudando a vida”.

Repetindo Heráclito, “não existe nada eterno, a não ser a mudança. Somos nós, com nosso livre-arbítrio, que decidimos se QUEREMOS MUDAR e COMO procederemos à mudança.”

Mesmo que não queiramos, mudamos todos os dias. Neste caso, somos vítimas da mudança. Do contrário, quando decidimos que queremos mudar, nos transformamos em parceiros da natureza.

(Alexandre Pelegi)

Pense nisso e viva melhor!

Compartilhe este texto com seus amigos nas redes sociais!

Sou autor do site Motivação e Foco, consultor comportamental, apaixonado por gente e pela vida. Quero trocar experiências e conhecimento com você, deixe seu comentário, envie um e-mail e me siga nas redes sociais.

Não há comentários

Deixe uma resposta