As Janelas da Memória

As Janelas da Memória

A memória humana não é lida globalmente, como a memória dos computadores, mas por áreas específicas a que chamo de janelas. Através das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que não nos vem à ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacessível.

A janela da memória é, portanto, um território de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informações e experiências. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, é abrir o máximo de janelas em cada situação. Se ela abre diversas janelas, poderá dar respostas inteligentes. Se as fecha, poderá dar respostas inseguras, medíocres, estúpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tensão, a angústia, o pânico, a raiva e a inveja podem fechá-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emoção pode fazer os intelectuais reagirem como crianças agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tensão, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhecível. O que mudou? O grau de abertura das janelas.

(…) A melhor atitude de uma mulher inteligente que está sob o calor da ansiedade é não se obrigar a reagir, é preservar-se. É importante gerir a emoção e esperar que a tensão passe para depois tomar uma atitude. Não leve a vida a ferro e fogo. Respeite os seus limites.

Veja como as janelas interferem no nosso comportamento. Quantas vezes, depois de passarmos por perdas ou frustrações, achamos que deveríamos ter dito ou feito isto ou aquilo? A abertura das janelas depende muito do estado emocional. O medo, a pressão, as crises, a tensão fecham as janelas. Há pessoas que se engasgam ao falar em público, embora sejam eloquentes. Alguns alunos podem ter um péssimo desempenho nos exames por causa da ansiedade. Alguns intelectuais agem como crianças frágeis quando contrariados.

(…) Por que razão as mulheres ciumentas perdem o autocontrole? Porque nas crises de ciúmes o seu Eu não tem acesso às janelas que poderiam financiar a sua autoconfiança e autoestima. Porque é que as mulheres cultas se autoflagelam tanto? Entre diversas causas, destaca-se a dificuldade de aceder a janelas em cálidos momentos que as façam relaxar e superar a necessidade de serem perfeitas.

Está a ver aqueles dias em que nos sentimos superfelizes e não sabemos os motivos de tanta alegria? Ou em que estamos tão calmos e tolerantes que nada nos aborrece? Ou aqueles dias em que nos sentimos tão irritadiços que nem a nós próprios nos suportamos? E o tédio do domingo à tarde? Estes movimentos emocionais ocorrem devido aos deslocamentos do território de leitura das janelas.

Há pessoas depressivas que beneficiam de algumas pausas na sua dor e sentem lampejos de alegria. Quer dizer que saíram do imenso bairro, ou área, de janelas que financiam a desmotivação, o pessimismo, o humor depressivo, e entraram em bairros que tinham janelas light que financiaram essa alegria temporária; o que é um bom sinal, pois indica que a sua memória não é completamente desértica! Ela pode e deve alargar as fronteiras dessas nobres áreas.

Está a ver aquelas pessoas tímidas que quando bebem se tornam autênticos papagaios? Elas romperam as barreiras das janelas doentias, que financiam a insegurança, e entraram noutro grupo de janelas, que financiam a sua sociabilidade. Obviamente que usar o álcool para melhorar os relacionamentos sociais não é saudável, pois pode preparar o terreno para uma futura dependência.

Há três grupos básicos de janelas da memória: as neutras, que contêm milhões de informações numéricas, endereços e dados; as janelas light, que financiam o prazer, a tranquilidade, a serenidade e a lucidez; e as janelas killer, que alicerçam o humor triste, a ansiedade, a agressividade, a irracionalidade e as fobias. Em relação a este último grupo, algumas dessas janelas são tão poderosas que lhes chamo janelas killer power. Elas são lidas e relidas e destroem com facilidade a nossa tranquilidade, a nossa autoestima e o nosso prazer de viver.

O Eu, como líder da sua mente, deveria aprender a romper as fronteiras das janelas killer e a penetrar nas áreas das janelas light. Eis a grande meta da mulher inteligente!

(Augusto Cury, in ‘Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis)

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Sou autor do site Motivação e Foco, consultor comportamental, apaixonado por gente e pela vida.

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