Aceite-se

Aceite-se

Young woman enjoying sunset in park

Certo dia, estava numa floresta. Era a época das chuvas e as árvores estavam cheias de alegria. Perguntei aos meus companheiros:

– Vêm como as árvores estão? E porquê? Porque se tornaram aquilo que realmente estavam destinadas a ser. Se a semente for uma coisa e a árvore desejar tornar-se outra, não haverá tanta felicidade na floresta, mas porque as árvores nada sabem sobre ideais, tornaram-se aquilo que a sua natureza pretendia que elas fossem.

A realização consiste em aquilo que sucede estar em conformidade com a própria forma e natureza de algo. O homem sente-se infeliz porque está a ir contra ele mesmo. Luta contra as suas próprias raízes e esforça-se constantemente por ser diferente daquilo que é. Dessa forma perde-se e perde também o paraíso que é seu direito natural.

Amigos, não é desejável querer ser aquilo que se pode ser? Não é desejável desistir de todos os esforços no sentido de ser qualquer outra coisa que não o nosso próprio ser? Não é nesse preciso desejo que reside a principal fonte de todos os sofrimentos? Que empreitada poderia ser mais impossível e fútil do que o desejo de se ser diferente do que se é?

As pessoas só podem ser aquilo que podem ser: na semente encontra-se oculto o desenvolvimento da árvore. A vontade de ser outra coisa só pode conduzir ao fracasso – fracasso, porque como poderá aquilo que não está oculto em si mesmo desde o início manifestar-se no final?

A vida é uma manifestação daquilo que está encoberto e oculto na altura do nascimento. O desenvolvimento, o crescimento, é apenas a sua revelação, e quando o que está escondido não se manifesta há infelicidade. Tal como uma mãe se veria a braços com uma dor insuportável e indescritível se tivesse de carregar um filho no ventre durante toda a sua vida, também aqueles que não se tornam aquilo que estavam destinados a ser darão por si infelizes.

Mas vejo que todas as pessoas participam na mesma corrida. Todos querem ser o que não são e por isso nunca ninguém conseguirá ser bem-sucedido. Qual é o resultado final? O resultado é que as pessoas não se tornam aquilo que poderiam ter sido. E, uma vez que não se tornam aquilo que não podem ser, ficam também privadas daquilo que sonharam que poderiam ser.

O rei de uma tribo foi pela primeira vez a uma grande cidade. Queria que o fotografassem. Foi levado a um estúdio fotográfico. À porta, o fotógrafo tinha colocado um anúncio em que se podia ler: “Tire a sua fotografia como quiser. Tal como é: 10 rupias. Como pensa que é: 15 rupias. Como quer que os outros o vejam: 20 rupias. Como desejava ter sido: 25 rupias.”

Aquele humilde rei ficou muito admirado com tudo isto e perguntou se apareciam outras pessoas para além das que queriam o primeiro tipo de fotografias. Foi-lhe dito que ainda não aparecera no estúdio uma só pessoa que quisesse tirar fotografias do primeiro gênero.

Posso perguntar que tipo de fotografias gostaria que aquele fotógrafo lhe tirasse? O que é que a sua mente lhe diz? No fundo, não teria gostado da última categoria de fotografias? Uma coisa é não trazer dinheiro suficiente, a força das circunstâncias poderá fazer a diferença, mas, caso contrário, quem gostaria de tirar o primeiro gênero de fotografias? Porém aquele rei «insensato» tirou, de facto, uma fotografia desse primeiro tipo de fotografia e disse:

– Vim aqui para ter uma fotografia de mim próprio e não de outra pessoa.

À porta da vida sempre tem estado um anúncio semelhante. Foi Deus quem o pendurou lá, muito antes de ter criado o homem.

Toda a hipocrisia deste mundo nasce do desejo de ser diferente de si mesmo. Quando alguém não consegue ser outra coisa que não o que é, concentra-se em parecer ser diferente. Não é a isso que chamamos de hipocrisia? E se a pessoa falha até mesmo nessa tentativa, fica perturbada. Então sente-se livre para se imaginar da forma que quiser. Mas, quer se trate de hipocrisia ou de loucura, a origem de ambas reside na recusa de se aceitar a si próprio.

O primeiro indício da saúde de alguém é a sua aceitação de si mesmo. Vimos ao mundo para que nos seja tirada uma fotografia, a nós, não à pessoa que não somos. Todas as tentativas de nos encaixarmos nas molduras dos outros são sintomas de uma mente doente. Os supostos ideais que são ensinados ao homem e as inspirações que lhe são dadas para que siga outros não lhe permitem que se aceite a si mesmo – e então a sua jornada seguirá, desde o início, o rumo errado.

Mas este tipo de «civilização» acometeu o homem como uma doença crónica faria. Que hediondas e disformes se tornaram as pessoas! Não há nada de saudável ou natural nelas. Porquê? Porque, em nome da cultura, da civilização e da educação, a sua própria natureza tem sido assassinada de modo consistente. Se o homem não abrir os olhos e vir esta conspiração, será destruído até à raiz.

A cultura não se opõe à natureza; é o crescimento da natureza. O futuro do homem não pode ser determinado por qualquer ideal externo, mas, sim, pela sua natureza intrínseca. Então, surgirá uma disciplina interior, que será tão natural e abrirá e revelará a face de si mesmo a tal ponto que será possível ver a derradeira verdade.

É por isso que digo: escolha-se, aceite-se, procure-se e desenvolva-se. Tirando ser a sua própria essência, não existe um ideal para ninguém; não pode existir. A imitação é um suicídio. E lembre-se de que nunca poderá encontrar a piedade dependendo de outrem.

(Osho, in “Candeias de Barro”)

Pense nisso e viva melhor!

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Sou autor do site Motivação e Foco, consultor comportamental, apaixonado por gente e pela vida.

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